domingo, 31 de agosto de 2008

O Velho Sonho de transmitir imagens - Surgimento da televisão

Desde os primórdios de nossa raça, temos o sonho de transmitir imagens. Desenhos em cavernas, logo mais pinturas, fotografias, cinema e etc. O primeiro registro deste sonho está na revista Punch de 1877, que fala de um projeto chamado Telephonoscope. Com o passar dos anos este sonho foi tornando-se cada vez mais real, tanto que em 1880, Mauricio Le Blanc detalha um sistema de transmitir imagens através de um fio. Mesmo com tais ideias a televisão não passaria a televisão não passaria apenas de um sonho se não fosse a descoberta do selênio, que é um elemento químico sensivel a luz, com suas propriedades fotoelétricas tornou ainda mais real a possibilidade de transmição de imagens.
Em 1884 foi criado o disco de Nipkow, um disco metálico com perfuração em espiral por onde passavam feixes de luz colocando um objeto na frente do disco o mesmo decompõe a imagem do objeto em pontos de luz que transforma os impulsos elétricos através de células de selênio. Mas infelizmente Nipkow não foi completado. pois isso tudo ficou na teoria. Em 1897 foi inventado um tubo de raios catódicos e dois cientistas, Campbell que era britânico e Boris Rozing que era russo, trabalharam isoladamente anunciaram a utilização do tubo de raios catódicos substituindo o disco de nipkow. Uma placa fina coberta com uma substância fotossensível era bombardeada por um canhão de elétrons, obedecendo a varreduras horizontais e verticais. Os impulsos que eram gerados podiam ser transmitidos e depois reconstituídos plea inversão do processo. O russo Rozing em 1907 registrou a patente, mas na verdade a base da televisão é inglesa, de Campbell Swinton que o sistema patenteado em 1911 era de melhos concepção e detalhadamente descrito. EM 1922 foi montado um sistema de lentes e espelhos móveis por Charles Francis Jenkis que consegue uma patente dessa máquina de captar e transmitir imagens. Com o passar dos anos várias outras descobertas foram feitas aprimorando cada vez mais a tecnologia. Em janeiro de 1935 o Selsdon Committee decide que a televisão deve ser implantada em LONDRES o mais breve possível. Em março do mesmo ano os Correios da Alemanha inicam transmissões esprádicas de televisão em Berlim que foi tirada do ar por um incêndio. A televisão no entanto só atingiu o imaginário quando entrou na era das transmissões via satélite. O passo mais recente foi a digitalização. Com a era digital, o tamanho dos equipamentos é drasticamente reduzidos. A história da invenção da televisão, sua evolução e seu futuro tecnológico é martéria importante para todos os profissionais, estudantes e interessados em comunicação.

Livro: 50 anos de tv no Brasil
Autor: J. B. de Oliveira Sobrinho, Carlos Alberto Vizeu, Edwaldo Pacote e Jorge Adib.
Editora: Globo
Retirado das páginas 13 a 17.

A Televisão e suas Influências

Desde 1950, a televisão vem ganhando espaço em nossos lares e assim fazendo parte da nossa familia. Ao passar dos anos ela vem evoluindo e chega atualmente com a TV de Alta Definição (HDTV).
Mas além de fazer bem trazendo informação, cultura, prazer, entre outras. Ela pode fazer mal, influênciando as pessoas e fazendo-as a reagir como elas mandam.
Geralmente as pessoas deixam as TVs ligadas, assim ocupando uma companhia ausente, cujo, temos o controle de tudo (literalmente), em certos pontos as pessoas se isolam em um mundo próprio. Se fecham tanto, a ponto de se sentir excluidos da sociedade, assim colocando o ser humano em um fim inevitável: a morte.
Já que o ser humano não consegue viver sem depender do outro, seria complicado uma pessoa que se fecha ao mundo sobreviver.
A televisão é um tipo de aparelho de imagem, ela pode criar uma ponte imaginária do mundo real ao mundo de fantasias próprias, lá ele pode deixar as preocupações para trás.
E enquanto o homem trasncorre no cotidiano, a mente fica ansiosa por inovações, só aquele que vive só, não consegue sonhar. É a sociedade que o faz sonhar, faz o imaginário crescer mais.

Livro: Televisão - A Vida Pelo Vídeo
Autor: Filho Marcondes, Ciro.
Editora Moderna Ltda. Ano 1.993
Retirado das páginas 9 a 11

Programas de Entrevistas e Auditórios

Os programas de auditório tem sua origem do circo, onde tem um homem no centro apresentando os artistas.
O termo "circo", vem do latim "circu" (circulo), onde se realiza o show. Atualmente o circo seria um espetáculo em troca de pagamento.
A indústria cultural tomou o espaço do circo, assim quase desaparecendo, até o divertimento e estrutura foram absorvidos a TV, para programas com quadros variados, nos sábados e domingos, como os de calouros, humoristicos, entrevistas, ..... (exemplos: Pânico, Domingão do Faustão, Domingo Legal, Programa do Silvio Santos, ......).
Antigamente, haviam mais shows de calouros (hoje já adaptados), seria uma forma de carreira artística, mas na verdade seriam os palhaços, que se apresentam a um juri que entendem do assunto, mas por cima se tudo, seria um simple espetáculo de circo.
Já um programa de entrevista famoso no Brasil seria o de Hebe Camargo. O programa da "gracinha" da TV já recebeu até tese acadêmica (de Sérgio Micel). Ela tenta passar na sala de visitas como se você fosse participante, tentando acabar com o frio do meio eletrônico.
A técnica de entrevistar, não seria um diálogo, mas sim um monólogo, onde o entrevistado s transforma em espelho. E quando o entrevistador não consegue, a entrevista não se desenrola e acaba em frustração, assim como em 1986 com Marília Gabriela com o líder Muammar Khadafi, em que a cada cinco minutos jogava um pacote publicitário. A entrevista também pode ter uma estrutura de tempo muito rígida, o que atualmente acontece em alguns programas, um exemplo, ODomingão do Faustão, cujo uma vez deixou Lulu Santos Cantar uma música e em seguida apresentar outro quadro ou quando ele não deixa seus convidados falarem.

Livro: Televisão - A Vida Pelo Vídeo
Autor: Filho Marcondes, Ciro.
Editora Moderna Ltda. Ano de 1993.
Retirado das páginas 68 a 71.

O fim de um grande Começo.


Nos anos 50 o empresário Victor Costa, proprietário das rádios Mayrink Veiga e Rádio Nacional comprou a Rádio Excelsior, que já era dona de uma concessão de emissora de TV em São Paulo, e junto com José Luis Moura que era um dos maiores exportadores de café do Brasil na época, montaram um canal em Santos e colocaram no ar a emissora concedida em São Paulo, a TV Excelsior.
Mas montar uma emissora não foi tão simples assim...
Depois de muitos testes, no dia 9 de Julho de 1960, nascia a TV Excelsior, canal 9 de São Paulo. Como todo começo, não foi nada fácil, os equipamentos eram precários, o que era comum às televisões brasileiras daquela época.
Para a inauguração da emissora foram distribuídos convites para aqueles que eram considerados da "sociedade paulista" políticos e grandes personalidades.

Como já era de se esperar o Teatro Paulo Eiró não foi suficiente para acomodar o público que estava curioso para conhecer a mais nova emissora de televisão em São Paulo. Percebendo isso a direção teve que procurar um novo local, foi daí que escolheram o Teatro Cultura Artística.
A TV Excelsior sempre abordava temas sobre o Brasil e sua cultura em sua programação, por isso ficou conhecida como uma emissora nacionalista.
Foi ela que trouxe muitas mudanças para TV daquela época. A começar por sua forma de administração, a maioria das emissoras era comandada por "famílias" a TV Excelsior era administrada por executivos. Enquanto as outras emissoras recebiam muitos convidados internacionais, por sua vez a TV Excelsior investiu em atrações brasileiras, como o programa "Brasil 60". Muitos acharam que não podia dar certo um programa apenas com música nacional. Mas o programa surpreendeu e apresentado por Bibi Ferreira marcou a década de 60, foi sucesso durante 8 anos. A TV Globo ainda exibiu o programa nos anos de 78 e 79.
Mas esse não foi o único programa de sucesso na TV Excelsior, existiu os Teleteatros, os infantis, Variedades, Humorísticos e o Cinema. (mas isso é um assunto que podemos discutir mais pra frente).
Falando em Cinema, a TV Excelsior também é lembrada pela grade de filmes que era exibida todas as noites, o famoso "Cinema em Casa”, perfeito pra quem adora “curtir” um “filminho” no fim de noite no aconchego da sua casa.

É difícil imaginar a TV sem uma grade de horários com a qual estamos acostumados hoje, onde comerciais precisavam ter o tempo necessário para que estivesse tudo certo para atração poder voltar ao ar. (imagine a correria). Mas foram os organizadores dessa emissora “revolucionária” que tiveram uma nova idéia que é usada atualmente:

“As grades Horizontais e Verticais”, ou seja, uma programação semanal e dominical. Os telespectadores podiam acompanhar seus programas prediletos, sempre nos mesmos dias e horários. Se hoje fazem parte do formato da TV grades de horários horizontais e verticais, oferecimentos, chamadas de programas durante o dia e outras inovações é graças a TV Excelsior. Dentre as muitas idéias “revolucionárias” estava também a de um formato de rede de televisão baseado no formato americano de TV via satélite. Mas isso só veio se concretizar nos anos 80 aqui no Brasil. Com 1 ano de existência a TV Excelsior já havia faturado o suficiente para cobrir suas despesas.

Porém em 1965 a emissora foi vendida para o Grupo Folha, Edson Leite, Alberto Saad, Otávio Frias e Carlos Caldeira, continuaram na direção artítica da emissora, assim também alguns programas como, por exemplo, o de Bibi Ferreira citado acima.

Também em 1965 surgiu o 1º Festival de Música Popular Brasileira e a vencedora foi Elis Regina, que interpretou a música “Arrastão”.

Em 1967 o Grupo Folha revendeu a emissora a Wallace Simonsen, que após sofrer a mesma pressão que levou o pai a morte, estava morando na Europa.

Wallinho, como era conhecido decide recomprar a emissora, no entanto, não tinha o preparo necessário. A emissora que outrora fora “revolucionária” e “pioneira”, agora se encontrava em um estado de falência. Para piorar, no contrato de venda não estava incluso os imóveis apenas a aparelhagem. Sendo assim, a emissora estava sem um estúdio. Seus empregados já não recebiam seus salários a meses, os recursos para produzirem os programas eram escassos.

Depois de vários problemas com a policia federal e disputas judiciais o fim da emissora era evidente.

Foram feitas campanhas pelos artistas para que a emissora não fosse fechada, devido sua tradição e importância, mas nenhuma obteve sucesso.

Alguns dizem que o maior motivo da falência daquele que um dia foi um império empresarial de Mario Wallace Simonsen foi a perseguição política, outros afirmam que foi por má administração do Grupo Folha. Com a queda da TV Excelsior nasce a TV Manchete. (Mas isso já é outro assunto a ser comentado).

Enfim, tanto a perseguição política quanto a má administração contribuíram para extinção da emissora que fora uma das mais importantes na formação da TV brasileira até os dias de hoje.

RIXA. Almanaque da TV. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000.

http://www.telehistoria.com.br/canais/emissoras/excelsior/excelsior16.htm

Telenovela no Brasil

Em 1963, a extinta TV Excelsior, criou a primeira telenovela brasileira 2-5499 Ocupado (com Tarcisio Meira e Glória Menezes protagonizando). A partir dai, surge o gênero que atrairia o público As Telenovelas. Nos ultimos 20 anos o Brasil vem fixando-se nas telenovelas como um programa indispensável e que conquistaram os horários noturnos.
A telenovela não seria um mecanismo para controlar as pessoas e sim para conhecer a sociedade como ela é e suas regras. Ela permite que possamos sentir vibrações, uma vivência, sentimentos, sensações sexuais que a vida real não permite.
Nas telenovelas brasileiras, trazem lembranças felizes, referentes a emoções cheias de vida. Os episódios revivem-nas e as tornam atuais.
De tanto as pessoas se comoverem com as histórias, elas sentem estar participando dela e choram quando acontece cenas tristes e dão risadas em cenas alegres.
As novelas brasileiras, sempre levam alguns problemas como Atividades Criminosas ou Indesejadas, Problemas Sociais, Casos Médicos, Problemas de Amor e Casamento, Problemas Políticos, ..... Um exemplo seria a novela "Laços de Família", com uma cena marcante de Câncer (feito por Carolina Dickman), em que as pessoas se emocionaram quando a atriz raspou o cabelo para fazer um tratamento.
Assim é aqui no Brasil, o público se interage com as telenovelas e sua trama, assim podem ir a um mundo diferente, um mundo próprio de fantasias e podem esquecer o caos na vida real.

Fonte: Livro: Televisão - A Vida Pelo Vídeo
Autor: Marcondes Filho, Ciro.
Editora Moderna Ltda. Ano 1993.
Retirado das página 59 a 63.

Escala de elenco da TV Globo virou missão difícil.

Guerra aberta e declarada da Rede Record com a Rede Globo de televisão.
A Rede Record foi ao ar à primeira vez no dia 27 de setembro de 1953. Tudo começou com um programa musical, contribuindo para a evolução da música popular brasileira, apresentado por Sandra Amaral e Hélio Ansaldo, a sorte estava lançada. A Rede Record foi pioneira na transmissão de programas esportivos, saindo a campo para transmissões ao vivo, verdadeiro triunfo da emissora.
Conhecemos um pouquinho da história da Record, que hoje disputa a vice-liderança entre as emissoras abertas do País.
Partiu para o ramo das novelas, querendo ou não os programas de pico de audiência de sua maior concorrente, nada mais nada menos que a Rede Globo, e como já havia exposto, guerra declarada, não somente pela “briga” de audiência e sim a disputas entre atores e atrizes de peso.
A Rede Globo dispõe de um elenco de 500 atores fixos, destes 150 é uma reserva estratégica, o cerco estreita na hora de escolher atores com carisma para protagonizar e para segurar o Ibope “imperial”, nessa hora o número de 150 cai para 50, é esse o grande motivo dos rostinhos carimbados na telinha, e quando é para a novela das oito (atualmente exibida as nove... detalhes) a coisa piora. Atualmente as novelas globais são muito extensas, o ator prefere participar de minisséries ou sitcom, nas quais trabalha menos em menor tempo, sem contar que a concorrência está cada vez mais esperta esperando um “vacilo” para juntar mais um ao seu time, que é no momento composto por 160 atores, a maioria “ex – Globo”, limitando assim ainda mais as opções.
No último dia 29/08/2008 a Rede Record fechou um acordo com a gigantesca Televisa para co-produção de novelas durante cinco anos, a Record será responsável pela adaptação das novelas as quais a Televisa possui o direito aqui no Brasil, para essas adaptações a Record poderá usar elenco e diretores brasileiros e utilizarão a infra-estrutura de produção do RECNOV-RJ (Record Novelas). A caça a talentos está aberta... E nós vamos continuar assistindo de camarote essa “briga de gigantes”. Abraços...
(http://www.rederecord.com.br/imprensa/noticias.asp?n=8644/ www.veja.abril.com.br/13/08/08_154shtml)

Uma janela de última geração

Foi inaugurado no inicio do ano o Glass Studio, da rede Globo, esse estúdio tem uma parede de vidro que fica atrás dos apresentadores dos telejornais, Bom dia São Paulo, SPTV 1ª e 2ª edição.
Ai chegamos à seguinte pergunta, qual a vantagem de se ter uma parede de vidro por trás dos apresentadores?
Os motivo dado pela Globo é que "a própria janela é noticia", esse estúdio está situado no 11º andar do recém inaugurado edifício da emissora, com esse paredão de vidro as pessoas que assistem o jornal podem ver como anda o transito na Marginal Pinheiros, como está o tempo naquela região (já que em São Paulo o tempo é uma incognita)alem de um dos pontos mais bonitos de São Paulo a ponte Octavio Frias de Oliveira, famosa pela iluminação feita por milhares de LEDs que enchem de cores as formas arrojadas da nova via.
Mas essa janela não foi feita assim facilmente, nela há muitos recursos tecnológicos que permitem que a luminosidade externa não atrapalhem as gravações, fazendo que o estúdio receba diferentes intensidades de luminosidade ao longo do dia, e variam também de acordo com a estação do ano.
Sem esse tecnologia mesmo a ausência do sol seria um problema, pois á noite os vidros dão o mesmo efeito de um espelho, refletindo as costas dos apresentadores.
Embora estejamos em uma época em que a tecnologia áudio visual esteja surpreendendo a cada dia e essa tecnologia possa passar até despercebida, é muito interessante e valida essa parede de vidro nesse novo estúdio pelos motivos aqui já apresentados sendo estético e funcional.


fonte: Revista Produção Profissional nº80
Reportagem Uma janela para São Paulo (agosto de 2008)

Sai de Baixo - Por Bruna Lino

Tudo começou com uma idéia do ator Luiz Gustavo. Ele perguntou a Daniel Filho se não seria bom voltar a fazer sitcoms (comédia de situação). Com atores que sabem fazer comédia, com platéia, ao vivo. Na época Daniel estava fora da Tv Globo. Então acharam melhor apresentar a idéia ao Sílvio Santos, pois era dono do teatro imprensa. Arrumaram uma equipe para desenvolver a idéia. A princípio tinham em mente que o personagem do Luiz Gustavo o (tatá) moraria num apartamento e teria uma agência de viagens. Depois começaram a pensar nos comediantes. Os disponíveis eram: Cláudia Jimenez, Marisa Orth e o próprio tatá, pensaram também em Fúlvio Stefanni. Para o papel que acabou ficando com Miguel Falabella.
Tatá queria fazer um teatro na tv, não só com atores humorísticos, mas também aqueles que sabem representar dramas. E para completar deveria ter um palhaço um arrematador de piadas. Zé Trindade, Ronald Golias, Walter D’avila são arrematadores clássicos, mas...
Com a idéia pronta então lá foram eles levar a Silvio Santos. Porém Sílvio não deu a mínima. Daniel voltou para Globo, e na primeira oportunidade apresentou a idéia do programa. Pensou em colocar no ar aos sábados á noite. Mas o Boni preferiu que fosse ás 10h da noite nos domingos. Pois a emissora estava perdendo a audiência neste horário. Assim sendo sua estréia foi em 31 de março de 1996.
Tiveram que fazer mudanças no elenco. Porque quando a proposta foi apresentada ao Sílvio, o papel que acabou ficando com a atriz Aracy Balabanian foi oferecido a Hebe Camargo. Houve também mudanças na criação. Miguel Falabella foi convidado a ajudar na redação do programa.
Daniel que havia anteriormente pensado em Luiz Fernando Guimarães para o papel de Fúlvio Stefanni. Surpreendeu-se quando Miguel pediu para fazê-lo. Nair Bello e Arlete Sales não quiseram o papel da sogra, mas Aracy Balabanian topou.
Já para o papel do porteiro, o escolhido foi Tom Cavalcante que estava na famosa “geladeira da Globo”, mesmo com críticas ao seu respeito, diziam que ele não era um bom ator, o que realmente sabia era fazer imitações de outras pessoas. O pior era que a crítica tinha razão, mas ele conseguiu sobreviver com a ajuda dos colegas.
Problemas: o primeiro era convencer a Globo a gravar em São Paulo. Para Daniel a resposta dos paulistas (classe média) era o seu parâmetro. Ele dizia que só saberia se o programa estava agradando ou não. Quando ouvisse da platéia risadas verdadeira e genuína. Assim ele teria certeza de que o público brasileiro em suas casas estaria rindo também.
O outro problema, a iluminação e o cenário. Boni disse a Daniel que o mesmo estava realista demais, então sugeriu que o cenário fosse mais rico e as roupas dos personagens também; que fosse mais elegante, queria um padrão Globo de qualidade, (entende?).
Ao que tudo indica o programa acabou em 2001, por falta de audiência. Atualmente, vemos a cópia descarada deste modelo de sitcom. Sabem de qual programa estou falando? Do “toma lá dá cá” Todos que algum dia assistiu o “sai de baixo” provavelmente tem a mesma impressão. Mas em minha opinião os dois são bons. Aquela empregada então, daí?


Fonte: Livro: o circo eletrônico fazendo Tv no Brasil
Autor: Daniel Filho.
Retirado das págs. 47 á 50.

Primórdios da Tv Brasileira -Por Bruna Lino

Daniel filho atualmente é um produtor de minisséries e telenovelas. Porém quanto foi chamado por Boni (diretor artístico da Tv Globo e também seu amigo). Para dirigir a novela “A rainha louca” da autora Glória Magadam. Daniel relutou a princípio, pois argumentava que novela era uma coisa chata que não entendia como alguém podia ficar sentado assistindo diariamente aquela porcaria. Mas para nossa alegria ele acabou aceitando.
Boni o convenceu dizendo que sua intenção era que Daniel mexesse na trama, colocando um toque de cinema. Pois Daniel conhecia tanto e gostava do assunto. Logo não seria um obstáculo para ele. Daniel tem uma memória excelente guarda em detalhes às seqüências dos filmes que vê. Então começou a fazer imitações de cenas de filmes. Usava marcas de atores enquadramentos, movimentos de câmera, o que lhe parecesse cabível. Trabalhou diversas vezes ao lado de Janete Clair (autora de novela). Ao seu modo de ver, a novela o possibilita fazer uma transformação, uma experiência que jamais poderia fazer no cinema.
No Brasil as primeiras novelas eram traduções de produções argentinas e mexicanas, um ramo, ainda na época da tv Excelsior, dominado pelas agências de publicidade. “direito de nascer” foi um grande sucesso no rádio. Porém na época a tv Tupi do rio de janeiro não quis colocá-la no ar. Mas o boni e Walter Clark, compraram os direitos da novela. E para isso enviou Dercy Gonçalves e David Raw para fazer o pagamento no México ao cubano Felix Cagnet autor da novela. Dercy viajou com os dólares costurados em seu casaco de pele.
Agora Cassiano Gabus Mendes diretor da tv tupi, resolveu aceitar transmitir “Direito de nascer” e exibi-la em território nacional. Foi desta forma que esta novela se tornou um fenômeno no país.
Como podemos ver, fazer televisão foi desde o início buscar novidades, ir do encontro do gosto do momento, das expectativas do público.
Um aspecto importante é saber que aqui no Brasil nunca existiram três ou quatro emissoras fortes como nos EUA, todas trabalhando ao mesmo tempo, cada qual com seu perfil, dividindo fatias equivalentes da audiência. Nossa história televisiva se caracteriza pelo monopólio da audiência. Pois sempre existiu uma grande emissora, acima das demais.
Apesar da tv globo ser uma empresa familiar, o Dr. Roberto Marinho, soube delegar o comando a profissionais competentes na televisão e com pensamento empresarial. Assim afastando brigas familiares da vida profissional. Não foi o que aconteceu com as emissoras antecessoras a Globo. Especula-se que suas respectivas falências se deram pelos conflitos familiares.
A Globo se desenvolveu na base da programação dentro dela as telenovelas, na década de 70 ela alcançava a hegemonia nacional. Nesta época estava acontecendo uma mudança no gosto do público. E Cassiano Gabus Mendes Captou esta mensagem. Então em 1969 surgiu a novela Beto Rockfeller um personagem do cotidiano, vivendo aventuras e trapalhadas. Até porque o povo queria assistir algo mais próximo da sua realidade.
Cassiano era um diretor fabuloso tinha uma intuição para tv como poucos. Fundou a tv Tupi, dirigiu a primeira transmissão de televisão no Brasil, e quando deixou o cargo de diretor-geral da Tupi, a mesma morreu logo depois. Migrou-se para a Globo, assim como a maioria dos trabalhadores da Tupi. E lá deu inicio a uma nova carreira e começou a escrever novelas.

Fonte: Livro- O circo eletrônico fazendo Tv no Brasil.
Daniel Filho. Retirado do 2º capitulo.

Padrão?

Mesmo pessoas que não sejam noveleiras de plantão, já estão acostumados com o padrão das novelas brasileiras, que seguem na verdade o mesmo padrão das comedias românticas americanas.
Mais que ousado chega a ser surpreendente que o autor da novela global
“A favorita”, João Emanuel Carneiro saia desse estilo vitorioso onde o perfil dos protagonistas ( bonzinhos) já é traçado desde o inicio do folhetim e passamos o tempo todo criando simpatia pelos mocinhos e empatia pelos vilões.
Para quem não entendeu, o autor de novelas João Emanuel Carneiro deixou desorientada boa parte dos telespectadores quando fez uma revira volta no folhetim “A favorita” onde flora vivida por Patrícia Pillar, que desde o começo da novela faz-se passar por boazinha, maternal, injustiçada tendo passado18 anos na cadeia por um crime que “não cometeu”, revelasse ser a assassina de Marcelo, o milionário e pai de sua filha, de quem fora amante e a piruá Donatela interpretada por Claudia Raia, que vinha desde o começo da novela sendo vista como vilã e não tendo o mínimo de carisma do publico, agora vira a mocinha (complicado, não?).
O mais curioso ao menos temporariamente se teve o resultado esperado, obtendo 46 pontos de no Ibope a melhor audiência até então.

Agora os brasileiros vão ter que chegar em casa e ver aquela mulher por quem eles torceram tanto fazendo diversas atrocidades, e mais, a riquinha chata de quem todos tinham nojo, será quem terão de torcer.

Já á muito tempo, se ouve falar que as novelas estão cada vez mais chatas, pois não apresentam novidades, tomando como exemplo Malhação, o celeiro de talentos da Globo que já perdeu sua graça por sua falta de diversidade.

Em um momento onde a globo vive uma falta de astros por motivos já expostos em outra postagem de nosso blog e que a rede Record, vem no cangote em seu cangote em sua busca a o primeiro lugar na audiência, podemos considerar insana ou pioneira essa reviravolta dada na novela a favorita, mas isso o Ibope há de nos mostrar nesse novo e emocionante capitulo da história da tv brasileira




Texto inspirado na reportagem ninguém é o que parece da revista Veja, escrito por Marcelo Marthe, coletada no site da veja.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

A primeira vez aqui! – por Daniel Santos

A estréia da televisão no Brasil foi ao melhor “jeitinho brasileiro”, e não podia ser diferente! Tudo começou com um “tal” de Assis Chateaubriand, um jornalista paraibano pra lá de “porreta”, dono de muitos meios de comunicação na época, como a revista ‘O cruzeiro’, e de muitas rádios, como a própria “Tupi”.

Chateaubriand, mais conhecido como Chatô, simplesmente bancou a vinda da TV para o nosso país, trinta toneladas de equipamentos americanos da “RCA”, pela bagatela de cinco milhões de dólares.

O local onde foi a PRF-3- TV TUPI era uma quadra de peteca que ficava no pátio da Rádio Difusora de São Paulo, no alto do Sumaré e corajoso Chatô decidiu montar os estúdios lá mesmo, e isso o fez.

Só um mês antes da estréia, que o rei foi avisado por Walter Obermüller, diretor da NBC-TV, sobre a falta de televisores no país. Chatô então ligou para uma empresa de televisores norte-americana, e pediu que trouxessem com urgência cerca de 200 aparelhos de TV, em três dias. O representante da empresa lhe explicou da complicação que seria trazê-lo para São Paulo, e que isso demoraria pelo menos dois meses. O paraibano não hesitou, e decidiu então contrabandear os televisores, foi além, mandou que um dos primeiros aparelhos fossem para o então presidente Marechal Eurico Gaspar Dutra. O primeiro aparelho contrabandeado foi para Vera Faria, secretária “particular” de Chatô.

Após semanas de ensaios, enfim chega o dia mais esperado, 18 de setembro de 1950, em pontos estratégicos de São Paulo foram instalados televisores para que muitos vissem a grande estréia.

Mas acontece algo imprevisto, uma das três câmeras pára de funcionar e ninguém conseguia detectar o problema, todos ficaram desesperados, a desconfiança era de que tinha sido a água benta que dom Paulo Rolim Loureiro tinha jogado nos estúdios e nas câmeras, e que ela poderia ter danificado alguma válvula da câmera. Obermüller quis adiar a transmissão, mas a equipe preferiu improvisar, sabiam que seria muito difícil, já que haviam ensaiado com as três câmeras.

Finalmente, com uma hora e meia de atraso, entrou no ar a PRF-3- TV TUPI, mesmo com tudo improvisado, foi uma transmissão perfeita, sem ao menos uma falha. Foi uma emoção para todos que participaram técnicos, artistas e principalmente do próprio Chatô.

Obermüller depois de ver a magnífica transmissão comentou o seguinte:

“Quando vocês forem escrever a história da televisão no Brasil vão ter que dizer que no dia da estréia certamente havia mais gente atrás das câmeras do que diante dos receptores”.



Fontes: Livro – Chatô, o rei do Brasil, capítulo 29.

Almanaque da TV- 50 anos de memória e informação.


Curiosidade: Vocês sabem a origem da palavra televisão e a data em que foi criada?


Respondo no próximo post.






domingo, 24 de agosto de 2008

Novela e política...

As telenovelas desde a década de 60, com a recém-criada Rede Globo de Televisão, começaram a ocupar de maneira consistente a posição de programa mais assistido segundo índices do Ibope. Mais velha que a TV, inspiradas nas rádios novelas que foi o auge do rádio na década de 40, abalando corações e mexendo com a emoção de muitos ouvintes, ricas em sonoplastia por não terem uma imagem, tinham que representar os ambientes mais variados, fazendo que as pessoas imaginassem a realidade da cena. O maior sucesso da rádio novela foi “O Direito de nascer”, merecedora de tal prestígio na televisão. As especialidades das novelas brasileiras lhes valeram destaque na bibliografia especializada no Brasil e no exterior. Autores debatem sobre o paradoxo de um fenômeno da mídia capaz de mobilizar audiências e influenciar comportamentos.
As novelas ao longo do tempo adquiriram legitimidade, ainda na década de 70 os profissionais de teatro passaram a atuar no ramo, na década de 80 as novelas privilegiaram os temas e imagens nacionais e já na década de 90 as novelas começaram a intervir diretamente em temas centrais como na política,no entanto já muito antes, em 1975 houve uma tentativa de incisão de temas políticos nas novelas com a saudosa "Roque Santeiro", sendo essa censurada pelo governo militar, e só foi liberada dez anos depois no governo de José Sarney, já civil. A novela “O Rei do Gado”, que também se tratava de temas politicos, exibida pela rede Globo em 1996, que diferente de outras, em vez de mobilizar símbolos, cores ou canções nacionais, incorporou a luta pela reforma agrária, ganhando não somente as primeiras paginas dos principais jornais e também espaço em suas páginas políticas, o que causou polemica entre o mundo político e a vida de certos fazendeiros que disseram ter tido suas imagens denegrida pela novela, já líderes do MST saudaram e apoiaram a novela, apesar disso pesquisas consideraram que o maior número dos telespectadores sensibilizaram-se a temas como adultério feminino e violência contra mulher que compunham o drama e lhes permitem associar-se a seus dramas pessoais.
Eis o motivo da grande audiência da novela brasileira, as pessoas se vêem no enredo fazendo de sua vida uma verdadeira cidade cenográfica.

(A TV aos 50. Criticando a televisão brasileira no cinquentenário, Esther Hamburguer, 3° capítulo)

Tv a cabo no Brasil

A tv a cabo nasceu nos EUA, com o objetivo inicial de melhorar a imagem da tv aberta em áreas em que o sinal VHF E UHF eram ruins ou até não pegavam. A tv a cabo trazia outra vantagem, explorada mais tarde pelos americanos, o fato de que o sinal VHF só permitia no Maximo sete canais e a rede em UHF que permitia um pouco mais canais não trazia uma imagem nítida na tv, ou seja, somente sete canais fazem a tv muito limitada até em comparação a quantidade das estações de radio por exemplo, e com o passar do tempo foi se abrindo a possibilidade de se ter canais opcionais, além de se assistir os canais da tv aberta que a tv a cabo já transmitia com a vantagem de ter maior nitidez na imagem, iria se comprar também canais opcionais que com o tempo trouxeram uma programação segmentada, que fez muito sucesso nos EUA.
Aí a pergunta, onde a tv a cabo entra no Brasil?
O que acontece é que mesmo com as vantagens da tv a cabo o Brasil foi um dos últimos paises da América latina a pensar na televisão a cabo, depois até do Chile, Colômbia e Bolívia por exemplo. Então vamos começar traçando o que trouxe a tv a cabo para o Brasil. Entre 1975 e 1985 o custo real do aluguel de espaço aéreo em satélites domésticos caiu mais de 120%, no inicio de 1989 o FCC (federal communications commission) aprovou 23 satélites domésticos, novos ou de reposição que começaram a ser lançados no inicio dos anos noventa, abrindo espaço para uma grande concorrência. Na mesma época houve o lançamento do primeiro satélite do sistema Panamsat- com a “pegada” na maior parte da América do sul, particularmente no Brasil- desafiava abertamente, pela primeira vez, as tarifas internacionais da Intelsat encorajava geradores de sinais de três continentes a alugar espaços mais baratos para suas transmissões internacionais, alem de viabiliza-las para a América do Sul. Foi através do Pamsat que a CNN e mais tarde, a TNT puderam chegar ao Brasil, mas antes tiveram que enfrentar barreiras impostas pela Embratel, que tem monopólio das telecomunicações comerciais no pais e por contrato só podia transmitir os sinais recebidos pela Intelsat. Foi a partir de um buraco na legislação brasileira sobre o assunto ( a recepção dos sinais por antenas parabólicas fugia ao controle da Embratel ) que a CNN pode chegar tanto aos receptores domésticos quanto as estações de tv comerciais do Brasil.


OBS: Traremos outros textos abrangendo mais o assunto, esperem pois o assunto das tvs a cabo no Brasil ainda não terminou, até mais pessoal!
(Fonte: "TV em Expansão" de Nelson Hoineff com prefácio feito por Paulo Francis
informações tiradas do primeiro capitulo "Poder, Cabo, Democratização" que vai da pg.21 a 62. )


Henrique Gois de Melo