domingo, 24 de agosto de 2008

Novela e política...

As telenovelas desde a década de 60, com a recém-criada Rede Globo de Televisão, começaram a ocupar de maneira consistente a posição de programa mais assistido segundo índices do Ibope. Mais velha que a TV, inspiradas nas rádios novelas que foi o auge do rádio na década de 40, abalando corações e mexendo com a emoção de muitos ouvintes, ricas em sonoplastia por não terem uma imagem, tinham que representar os ambientes mais variados, fazendo que as pessoas imaginassem a realidade da cena. O maior sucesso da rádio novela foi “O Direito de nascer”, merecedora de tal prestígio na televisão. As especialidades das novelas brasileiras lhes valeram destaque na bibliografia especializada no Brasil e no exterior. Autores debatem sobre o paradoxo de um fenômeno da mídia capaz de mobilizar audiências e influenciar comportamentos.
As novelas ao longo do tempo adquiriram legitimidade, ainda na década de 70 os profissionais de teatro passaram a atuar no ramo, na década de 80 as novelas privilegiaram os temas e imagens nacionais e já na década de 90 as novelas começaram a intervir diretamente em temas centrais como na política,no entanto já muito antes, em 1975 houve uma tentativa de incisão de temas políticos nas novelas com a saudosa "Roque Santeiro", sendo essa censurada pelo governo militar, e só foi liberada dez anos depois no governo de José Sarney, já civil. A novela “O Rei do Gado”, que também se tratava de temas politicos, exibida pela rede Globo em 1996, que diferente de outras, em vez de mobilizar símbolos, cores ou canções nacionais, incorporou a luta pela reforma agrária, ganhando não somente as primeiras paginas dos principais jornais e também espaço em suas páginas políticas, o que causou polemica entre o mundo político e a vida de certos fazendeiros que disseram ter tido suas imagens denegrida pela novela, já líderes do MST saudaram e apoiaram a novela, apesar disso pesquisas consideraram que o maior número dos telespectadores sensibilizaram-se a temas como adultério feminino e violência contra mulher que compunham o drama e lhes permitem associar-se a seus dramas pessoais.
Eis o motivo da grande audiência da novela brasileira, as pessoas se vêem no enredo fazendo de sua vida uma verdadeira cidade cenográfica.

(A TV aos 50. Criticando a televisão brasileira no cinquentenário, Esther Hamburguer, 3° capítulo)

Tv a cabo no Brasil

A tv a cabo nasceu nos EUA, com o objetivo inicial de melhorar a imagem da tv aberta em áreas em que o sinal VHF E UHF eram ruins ou até não pegavam. A tv a cabo trazia outra vantagem, explorada mais tarde pelos americanos, o fato de que o sinal VHF só permitia no Maximo sete canais e a rede em UHF que permitia um pouco mais canais não trazia uma imagem nítida na tv, ou seja, somente sete canais fazem a tv muito limitada até em comparação a quantidade das estações de radio por exemplo, e com o passar do tempo foi se abrindo a possibilidade de se ter canais opcionais, além de se assistir os canais da tv aberta que a tv a cabo já transmitia com a vantagem de ter maior nitidez na imagem, iria se comprar também canais opcionais que com o tempo trouxeram uma programação segmentada, que fez muito sucesso nos EUA.
Aí a pergunta, onde a tv a cabo entra no Brasil?
O que acontece é que mesmo com as vantagens da tv a cabo o Brasil foi um dos últimos paises da América latina a pensar na televisão a cabo, depois até do Chile, Colômbia e Bolívia por exemplo. Então vamos começar traçando o que trouxe a tv a cabo para o Brasil. Entre 1975 e 1985 o custo real do aluguel de espaço aéreo em satélites domésticos caiu mais de 120%, no inicio de 1989 o FCC (federal communications commission) aprovou 23 satélites domésticos, novos ou de reposição que começaram a ser lançados no inicio dos anos noventa, abrindo espaço para uma grande concorrência. Na mesma época houve o lançamento do primeiro satélite do sistema Panamsat- com a “pegada” na maior parte da América do sul, particularmente no Brasil- desafiava abertamente, pela primeira vez, as tarifas internacionais da Intelsat encorajava geradores de sinais de três continentes a alugar espaços mais baratos para suas transmissões internacionais, alem de viabiliza-las para a América do Sul. Foi através do Pamsat que a CNN e mais tarde, a TNT puderam chegar ao Brasil, mas antes tiveram que enfrentar barreiras impostas pela Embratel, que tem monopólio das telecomunicações comerciais no pais e por contrato só podia transmitir os sinais recebidos pela Intelsat. Foi a partir de um buraco na legislação brasileira sobre o assunto ( a recepção dos sinais por antenas parabólicas fugia ao controle da Embratel ) que a CNN pode chegar tanto aos receptores domésticos quanto as estações de tv comerciais do Brasil.


OBS: Traremos outros textos abrangendo mais o assunto, esperem pois o assunto das tvs a cabo no Brasil ainda não terminou, até mais pessoal!
(Fonte: "TV em Expansão" de Nelson Hoineff com prefácio feito por Paulo Francis
informações tiradas do primeiro capitulo "Poder, Cabo, Democratização" que vai da pg.21 a 62. )


Henrique Gois de Melo