domingo, 31 de agosto de 2008

O fim de um grande Começo.


Nos anos 50 o empresário Victor Costa, proprietário das rádios Mayrink Veiga e Rádio Nacional comprou a Rádio Excelsior, que já era dona de uma concessão de emissora de TV em São Paulo, e junto com José Luis Moura que era um dos maiores exportadores de café do Brasil na época, montaram um canal em Santos e colocaram no ar a emissora concedida em São Paulo, a TV Excelsior.
Mas montar uma emissora não foi tão simples assim...
Depois de muitos testes, no dia 9 de Julho de 1960, nascia a TV Excelsior, canal 9 de São Paulo. Como todo começo, não foi nada fácil, os equipamentos eram precários, o que era comum às televisões brasileiras daquela época.
Para a inauguração da emissora foram distribuídos convites para aqueles que eram considerados da "sociedade paulista" políticos e grandes personalidades.

Como já era de se esperar o Teatro Paulo Eiró não foi suficiente para acomodar o público que estava curioso para conhecer a mais nova emissora de televisão em São Paulo. Percebendo isso a direção teve que procurar um novo local, foi daí que escolheram o Teatro Cultura Artística.
A TV Excelsior sempre abordava temas sobre o Brasil e sua cultura em sua programação, por isso ficou conhecida como uma emissora nacionalista.
Foi ela que trouxe muitas mudanças para TV daquela época. A começar por sua forma de administração, a maioria das emissoras era comandada por "famílias" a TV Excelsior era administrada por executivos. Enquanto as outras emissoras recebiam muitos convidados internacionais, por sua vez a TV Excelsior investiu em atrações brasileiras, como o programa "Brasil 60". Muitos acharam que não podia dar certo um programa apenas com música nacional. Mas o programa surpreendeu e apresentado por Bibi Ferreira marcou a década de 60, foi sucesso durante 8 anos. A TV Globo ainda exibiu o programa nos anos de 78 e 79.
Mas esse não foi o único programa de sucesso na TV Excelsior, existiu os Teleteatros, os infantis, Variedades, Humorísticos e o Cinema. (mas isso é um assunto que podemos discutir mais pra frente).
Falando em Cinema, a TV Excelsior também é lembrada pela grade de filmes que era exibida todas as noites, o famoso "Cinema em Casa”, perfeito pra quem adora “curtir” um “filminho” no fim de noite no aconchego da sua casa.

É difícil imaginar a TV sem uma grade de horários com a qual estamos acostumados hoje, onde comerciais precisavam ter o tempo necessário para que estivesse tudo certo para atração poder voltar ao ar. (imagine a correria). Mas foram os organizadores dessa emissora “revolucionária” que tiveram uma nova idéia que é usada atualmente:

“As grades Horizontais e Verticais”, ou seja, uma programação semanal e dominical. Os telespectadores podiam acompanhar seus programas prediletos, sempre nos mesmos dias e horários. Se hoje fazem parte do formato da TV grades de horários horizontais e verticais, oferecimentos, chamadas de programas durante o dia e outras inovações é graças a TV Excelsior. Dentre as muitas idéias “revolucionárias” estava também a de um formato de rede de televisão baseado no formato americano de TV via satélite. Mas isso só veio se concretizar nos anos 80 aqui no Brasil. Com 1 ano de existência a TV Excelsior já havia faturado o suficiente para cobrir suas despesas.

Porém em 1965 a emissora foi vendida para o Grupo Folha, Edson Leite, Alberto Saad, Otávio Frias e Carlos Caldeira, continuaram na direção artítica da emissora, assim também alguns programas como, por exemplo, o de Bibi Ferreira citado acima.

Também em 1965 surgiu o 1º Festival de Música Popular Brasileira e a vencedora foi Elis Regina, que interpretou a música “Arrastão”.

Em 1967 o Grupo Folha revendeu a emissora a Wallace Simonsen, que após sofrer a mesma pressão que levou o pai a morte, estava morando na Europa.

Wallinho, como era conhecido decide recomprar a emissora, no entanto, não tinha o preparo necessário. A emissora que outrora fora “revolucionária” e “pioneira”, agora se encontrava em um estado de falência. Para piorar, no contrato de venda não estava incluso os imóveis apenas a aparelhagem. Sendo assim, a emissora estava sem um estúdio. Seus empregados já não recebiam seus salários a meses, os recursos para produzirem os programas eram escassos.

Depois de vários problemas com a policia federal e disputas judiciais o fim da emissora era evidente.

Foram feitas campanhas pelos artistas para que a emissora não fosse fechada, devido sua tradição e importância, mas nenhuma obteve sucesso.

Alguns dizem que o maior motivo da falência daquele que um dia foi um império empresarial de Mario Wallace Simonsen foi a perseguição política, outros afirmam que foi por má administração do Grupo Folha. Com a queda da TV Excelsior nasce a TV Manchete. (Mas isso já é outro assunto a ser comentado).

Enfim, tanto a perseguição política quanto a má administração contribuíram para extinção da emissora que fora uma das mais importantes na formação da TV brasileira até os dias de hoje.

RIXA. Almanaque da TV. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000.

http://www.telehistoria.com.br/canais/emissoras/excelsior/excelsior16.htm

Nenhum comentário: