domingo, 5 de outubro de 2008

Globo: ninguém alcança! Olimpíadas e ferias!

Difícil falar de batalhas travadas por audiência, quando a maior concorrente da tv Globo começa a perder audiência. Com a rede Record perdendo no acumulado de dois meses, 21% de audiência e caindo de seus 9,6 pontos do mês de junho para 7,6 em agosto, parece que a estrutura de Edir Macedo tem lá seus defeitos, pois, o dono da emissora afirma que a queda de julho e agosto foi graças às férias e as olimpíadas!
Você deve estar pensando isso tem cara de noticia velha, pois é do começo de setembro e estamos em outubro, mas, fique atento, pois o que mais me chamou atenção nessa reportagem da folha ilustra escrita por Daniel costa, é que uma emissora que deseja desbancar do primeiro lugar a globo que vem sendo líder de audiência a uns 30 anos deveria ter um planejamento para um contra ataque as olimpíadas e a programação de ferias de sua concorrente.
Enquanto as novelas "Chamas da vida" e "Os mutantes" estão na casa dos 14 pontos, distante dos 18 que atingiram em junho, "A favorita" da rede globo se recupera e eleva sua média diária para 18,2 pontos 9% de alta.

Para sorte da Record o SBT também caiu (7,2 em julho para 6,9 em agosto), a Record ainda é vice-líder isolado na grande São Paulo, mas estão empatadas no ibope nacional.
Cuidado Record! Sr. Edir Macedo não se esqueça que se vocês forem para terceira colocação ganharam somente metade do valor pago em suas propagandas.
Enquanto a Globo, essa está bem à frente, nadando de braçada.

Texto: Henrique gois de melo

Fonte: Folha Ilustrada
Do dia 2/09/08Escrita por: Daniel castro

Nas tardes de domingo

Dá minha época de criança, lembro que domingo havia uma guerra bombástica entre Faustão e Gugu. Quando o Gugu começou a levar a seu programa os Mamonas assassinas e o É o tchan(1995) e quando anunciava a cada programa o primeiro lugar na audiência, como uma provocação a o Programa do Faustão( 1998/2002).
Aqui quero falar um pouco do Faustão que já tem mais de mil programas na globo, tendo estreado em 1989, nesses 19 anos de globo, o programa do Faustão teve cerca de 180 quadros, 73.000 videocassetadas e 3.900 atrações musicais. Quando o Faustão foi a o ar, o Brasil estava em ano de eleição as primeiras eleições diretas depois de amargar a ditadura militar, e vem na ativa até hoje representando em seu programa 7% do faturamento bruto da tv globo.
Depois de sair de um programa alternativo (o Perdidos na noite) e ir para um programa de massa na maior emissora do pais, com a função de tirar a hegemonia de Silvio Santos nos dias de domingo.
Faustão teve muito sucesso em seu programa, mas de 1998 a 2002 passou por apuros sendo praticamente massacrado na audiência pelo programa do apresentador Gugu Liberato, ele diz que em um certo momento perdeu a vontade de apresentar seu programa.

Não há como se negar que houve erros celebres, como o Sushi Erótico, em que atores degustavam comida japonesa sobre o corpo de modelos nuas, e o caso Latininho, quando o Domingão explorou a imagem de um deficiente de forma horrivel.
A queda no ibope só aumentou com a perda de prestigio com esses capítulos chegando á audiência a descer aos 11 pontos.
Mas tendo se recuperado e hoje sendo sucesso, com quadros como se vira nos trinta e dança dos artistas.

Obs: anexei a esse texto a entrevista que Faustão deu à Folha


"Não procurei a fama de forma obcecada"
Nesses quase vinte anos, houve algum momento em que o senhor pensou: "não dá mais"?

Houve um momento complicado, em 2001. Depois de várias tentativas de recuperar nosso ibope, tentaram me convencer de que um grupo de jornalistas deveria assumir a direção. Só que eles descaracterizaram o programa. Aí foi o fim do mundo, a audiência desabou de vez. Falei para a Marluce (a manda-chuva da Globo no período, Marluce Dias da Silva): é melhor rescindir o contrato. Ainda bem que a crise não durou tanto.

O episódio do "Latininho", nos anos 90: um dos erros de Faustão
Esse momento ruim coincidiu com seu embate pesado com Gugu. Aquela fase ainda lhe dá pesadelos?

Não foi nem uma fase, nem um programa inteiro. De 1000 programas, tivemos três momentos trágicos: o sushi erótico, o Latininho e a entrevista com o Belo. O Sushi era um quadro de dois ou três minutos e aí ficaram esticando – eu até falei no ar: eu não estou à vontade. O problema do Latininho (deficiente explorado de forma grotesca no programa) é que ele passou o dia inteiro lá na produção e ninguém notou que havia algo errado. Na hora em que eu o vi no ar é que percebi que o rapaz estava totalmente sem condição. Agora, são problemas internos que só têm essa repercussão porque se trata da Globo. Houve tantos Latininhos em outros programas e ninguém reclamou.


Há alguma parcela de culpa sua nesses episódios?


Em todos. Afinal de contas, minha cara estava lá. Naquela época eu não estava envolvido na produção como hoje. Talvez eu tivesse evitado ou amenizado se fosse assim.


Na contramão da era das celebridades, o senhor optou por não expor sua vida pessoal. Por quê?


No fundo, sou tímido. É claro que se eu não gostasse de ser reconhecido eu ia ser guarda-noturno, não é verdade? Mas não vivo em função disso. Não procurei a fama de forma obcecada, neurótica. E os artistas às vezes se acham. É preciso ter consciência do país em que a gente vive, a pessoa não pode afrontar ninguém só porque tem fama, dinheiro ou poder.


Qual o efeito da fama na vida das pessoas?

O que deveria ser decorrência natural de um bom trabalho acaba tendo o efeito de um tsunami para quem se expõe publicamente. E só alguns sabem lidar com isso. Se o sujeito alcança o sucesso cedo demais, ele se perde. Se demora para chegar, ele fica recalcado e amargo. O problema às vezes não é nem a pessoa saber administrar a fama. O problema é quem a rodeia.


Como é lidar com o ego dos artistas?


Quando estão no meu terreiro, eles são afáveis. Mas muitos dão coice no porteiro, no garçom, nos cabeleireiros e maquiadores. Tem um time grande que faz isso na Globo. É um negócio maluco: eles descarregam seu recalque para cima dessas pessoas.


Muitos atores profissionais olham de forma enviesada para os ex-participantes do Big Brother. Qual a sua opinião sobre isso?


Eu entendo. Os grandes atores sabem quanto é difícil essa profissão. E hoje basta ser bonito e engraçadinho e se destacar num reality show para subir na vida. A ascensão social e econômica no Brasil se dá por meio da fama. Não se premia o sujeito porque ele estuda. Quando comecei, nos anos 70, ser artista, jogador de futebol, modelo ou miss era o apogeu do lixo. Hoje, é o contrário. Existe estímulo para essas carreiras fugazes. Às vezes, a gente vê mães tentando emplacar na carreira de modelo suas filhas de 1,50 metro de altura e cara de abacaxi. Parece que o único caminho é o sucesso na TV, seja por vias musicais ou sexuais.


O senhor é contra o assistencialismo na TV. Por quê?


Assistencialismo é aquele negócio que você leva lá e dá dinheiro de mão beijada. Para mim, esse assistencialismo barato não é bom. Acho ruins, inclusive, as medidas do governo nesse sentido. Eu me lembro da música do Luiz Gonzaga: a esmola vicia o cidadão.


Está se referindo ao Bolsa Família?


É, todos os programas assim. Há vários exemplos de gente que não quer trabalhar mais por causa dessa ajuda fácil. É preciso ensinar o sujeito a trabalhar, criar cursos técnicos, oferecer educação. O governo tem de criar a estrutura, e a vida se encarrega de selecionar os mais inteligentes e batalhadores. O assistencialismo é uma praga de país subdesenvolvido.


Por que o senhor acredita que falta ousadia à televisão?


É o seguinte: se uma emissora faz novela, todo mundo faz novela. Mas o que dá certo nas outras emissoras são programas diferentes do que os que a Globo exibe. E a própria Globo não inova. O problema é que o cachimbo entorta a boca. Durante muitos anos, a Globo só investiu em dramaturgia. Então, virou uma emissora que sabe fazer apenas novelas e sitcoms.


O senhor foi pai tardiamente, aos 48 anos. O Brasil o deixa ansioso como pai?


Sem dúvida. Um país que tem violência, que não investe em educação, não oferece o básico de habitação e saúde, um país que tem de ter cota de tudo. É um país que caiu no real, mas não na real. E a elite brasileira é muito burra. Fica todo mundo dentro de seu condomínio, de seu carro blindado.
Seus filhos vêem televisão livremente?


Não, ô louco. Eles têm de seguir regras, só podem ver TV em alguns horários que achamos adequados.


Eles assistem ao Domingão?


Só por castigo.



Texto de henrique gois de melo
Fonte: veja.com
De: Marcelo Marthe