domingo, 26 de outubro de 2008

A impressa diante de ocorrências policiais - Por Bruna Lino


Como todo o Brasil pôde acompanhar, desde o início do seqüestro (ou cárcere privado) da adolescente Eloá, a mídia esteve presente.Fato este que muitas vezes atrapalhou as negociações policiais, pois no decorrer dos dias atraiu muitos curiosos. E o mais absurdo foram às entrevistas concedidas por Lindemberg (o seqüestrador) aos repórteres de programas de televisão. Como uma ação da polícia poderia dar certo com o seqüestrador sabendo tudo o que estava acontecendo do lado de fora do apartamento? Qualquer movimentação no local a imprensa já estava transmitindo.
Lindemberg sentia-se poderoso por estar no comando de tudo, essa afirmação se fez verdadeira no momento em que Nayara (refém libertada) voltou ao cativeiro. Claro que, se este episódio acontecesse em outro país, era improvável que esta garota subisse as escadas sozinha. Um policial certamente estaria junto a ela e ao irmão de Eloá, justamente para garantir que nenhum dos dois adentrasse no apartamento. Sem dizer que em outro país esta situação nunca teria acontecido, até porque um refém que é libertado, não pode em hipótese alguma voltar ao local do cativeiro. O mesmo aconteceria com o desfecho do caso, pois em outro país teria acabado
muito antes das 100 horas. Um atirador de elite resolveria a situação.
Muitas são as questões a serem repensadas em nossas leis e nas técnicas utilizadas pela polícia brasileira. Penso que tudo poderia ter acabado bem se nossa polícia tivesse agido de maneira racional.Isto porque, estavam pensando nas questões emocionais, imaginando qual seria a reação da população se tomassem a decisão de atirar em Lindembeg, que até ali era um bom moço, trabalhador e querido por todos. Há certas decisões que devem ser estritamente racionais, tudo bem, havia uma refém em jogo, mas que poderia estar viva.
Outra questão relevante foi o fato de não retirarem o telefone celular em poder do seqüestrador. Poderiam ter trocado por um rádio - transmissor, por exemplo, afim de fazer contato direto entre a polícia e o seqüestrador. Por esta providência não ter sido tomada, os meios de comunicação “usaram e abusaram”. Por mais que as intenções de alguns fossem boas, outros fizeram sensacionalismo para adquirirem audiência.
Como se não bastasse, quando Eloá veio a falecer, seu velório passou a ser um espetáculo, um show à parte. Milhares de pessoas, que até então nem sabiam de sua existência, foram até lá para tirar fotos, “Que país é esse?”. Este acontecimento só tomou esta proporção, sem dúvida, por influência da mídia.
A única participação importante e satisfatória da mídia, foi o reconhecimento de um foragido da polícia de Alagoas. O pai de Eloá, acusado de praticar vários crimes no início da década de 90, Everaldo, que aqui em São Paulo assumiu a identidade de Aldo, foi descoberto através das lentes velozes das câmeras de tv. Ele fugiu de Alagoas quando Eloá tinha apenas 2 anos de idade. A polícia o acusa de ter participado de um grupo de extermínio fardado que atuava no estado. Entre os crimes, estão o assassinato de um delegado e da sua ex-mulher no qual. Parentes afirmam que ele a matou não só porque queria viver com ela e a mãe de Eloá, e a mesma não aceitava, Mas sim porque ela sabia de todos os crimes que ele havia cometido.
O filho mais velho de Ana Cristina (mãe de Eloá) é de outro homem. Até esta informação os meios de comunicação já obtiveram, e na entrevista que fizeram com o pai de Ronickson (irmão mais velho de Eloá), ele afirma não ter procurado o filho por medo de Everaldo.
Agora existe a especulação que Everaldo e Lindemberg tenham envolvimento em crimes praticados na região.
Contudo, podemos ter os dois lados da moeda. A imprensa pode perfeitamente ajudar a esclarecer fatos, porém em outros atrapalhar e muito.

Um comentário:

Márcio disse...

Bruna,

Creio que aquiseu post fuja do tema História da TV, não?